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o acaso. a coincidência. o imponderável. o que "puxa, não pode ser verdade". tudo aquilo que faz, da vida, um mistério difícil de ser desvendado ou narrado. aquilo que guarda o índice de que tudo pode mudar logo ali, depois da esquina. ou ficar por isso mesmo.
este pequeno livro de Paul Auster me faz lembrar coisas importantes. que sentimentos inexplicáveis permanecem inexplicados. que nem sempre a saudade que vai é a mesma que vem. que um amor depende menos de vontade e mais de sorte, acaso, coincidência.
a saudade é um negócio esquisito. se dá sobre o vazio e a lembrança. mas tem cheiro. tem gosto. tem textura. vem no sol que se põe, à esquerda da sacada. e na lua que se levanta, à direita. vem trazida pelo vento de um dia morno. pela cebola que doura na panela e inscreve sempre um nome. o mesmo nome, repetidas vezes, achando um jeito de ficar ali.

esta foi minha aquisição de hoje na Feira do Livro. edição primorosa da Cosac Naify, o que é praticamente uma redundância.
"Um dia, voltando do banheiro, encontrei a porta do meu quarto trancada e minhas coisas empilhadas diante da porta."
é, Beckett. é mais ou menos assim que, um dia, a gente é expulso sem desejar. e então pega as coisas (gentilmente?) empilhadas e toma o caminho da vida.
ando morrendo de inveja dos amigos que atualizam seus blogs. não sei se passo por uma crise criativa, por uma crise de caramujo ou se finalmente me dei conta de que não há palavras adequadas para o que gostaria de dizer.

amei. roubadinho do blog marketing na cozinha.
por favor por favor por favor. vejam este clip (dica do Te dou um dado?). não sei do que gosto mais. roteiro? técnica? melodia? qualidade da poesia? acho que eu gosto mais é das cenas na escada. e do fim. ah, sim, o final é pura sinceridade.
recomendo fortemente este vídeo. contribuição altamente científica para entender um ancestral dilema.