03 Janeiro 2010

2010


não pedi nada para 2010. não prometi nada para 2010.

2009 foi um ano surpreendente. houve muitas conquistas saborosas. um amor estranho retomou seu lugar. novos amigos se apresentaram no horizonte. mas 2009 foi também um ano duro. a vida me impôs limites, sem gentileza e sem negociação. me obrigou a girar 180 graus e a caminhar em outra direção. fui emburrada, resmungando, choramingando um pouco. mas fui, porque é preciso ter fairplay.

ainda não sei bem o que aprendi com tantas verdades. lembro agora daquela frase, que talvez seja do John Lennon, "a vida é uma coisa que acontece enquanto você faz outros planos".

então, 2010, sem pedidos e sem promessas. apenas venha.

27 Dezembro 2009

tia noel se deu mal

marvilhoso. vejam aqui como titia noel se deu mal no orkut. roubadinho do Não Salvo. chorei.

13 Dezembro 2009

o longe e o perto



muitas coisas estão longe, como estes fogos. e parecem perto, mesmo longe, como estes fogos. são imprecisas, como eles. trêmulas e oscilantes, como eles. e, em brilhante paradoxo, descem e espicham suas raízes. eu as admiro. e as conservo.


30 Novembro 2009

bresson




impossível reerguer em palavras o que se percebe com olhos e espírito. saí da exposição de Henri Cartier-Bresson convicta da insuficiência da fala.

"fotografo para captar o silêncio interior", diz ele. "e me sinto um ladrão, um batedor de carteiras." porque o silêncio interior é uma preciosidade que só se pode captar esperando. invadindo. ajoelhando-se durante uma hora e meia diante de Ezra Pound.

até 20 de dezembro, no Sesc Pinheiros.

22 Novembro 2009

sorte




o acaso. a coincidência. o imponderável. o que "puxa, não pode ser verdade". tudo aquilo que faz, da vida, um mistério difícil de ser desvendado ou narrado. aquilo que guarda o índice de que tudo pode mudar logo ali, depois da esquina. ou ficar por isso mesmo.

este pequeno livro de Paul Auster me faz lembrar coisas importantes. que sentimentos inexplicáveis permanecem inexplicados. que nem sempre a saudade que vai é a mesma que vem. que um amor depende menos de vontade e mais de sorte, acaso, coincidência.

12 Novembro 2009

cheiro

a saudade é um negócio esquisito. se dá sobre o vazio e a lembrança. mas tem cheiro. tem gosto. tem textura. vem no sol que se põe, à esquerda da sacada. e na lua que se levanta, à direita. vem trazida pelo vento de um dia morno. pela cebola que doura na panela e inscreve sempre um nome. o mesmo nome, repetidas vezes, achando um jeito de ficar ali.

04 Novembro 2009

primeiro amor



esta foi minha aquisição de hoje na Feira do Livro. edição primorosa da Cosac Naify, o que é praticamente uma redundância.

"Um dia, voltando do banheiro, encontrei a porta do meu quarto trancada e minhas coisas empilhadas diante da porta."

é, Beckett. é mais ou menos assim que, um dia, a gente é expulso sem desejar. e então pega as coisas (gentilmente?) empilhadas e toma o caminho da vida.