04 agosto 2006

era comida

as coisas que acontecem numa guerra. Israel atacou com mísseis um armazém libanês de frutas e legumes, matando 33 civis, a maioria agricultores sírios e curdos. alegou que tinha uma informação de que ali o Hezbollah armazenava armas. bem, não havia armas, mas havia gente vendendo comida. ah, quase a mesma coisa, né?

a capital, Beirute, está sendo atacada sem trégua. há poucos dias eu estava lendo uma matéria da BBC sobre a fuga de libaneses para Beirute, porque acreditavam ser um local seguro, e pensava com minhas peninhas “não é, não é, fujam”. mas fujam para onde? é fácil falar sobre isso aqui, na minha casa, a milhas do horror. e quem não pode sair? e quem não quer sair? eu deixaria minha vida para trás, se Porto Alegre fosse bombardeada? iria para onde, com que perspectiva, até quando? com que coração estraçalhado veria meus amigos serem mortos, as pessoas que não pudessem sair, os obstinados que preferissem morrer heroicamente em casa, como de direito?

com menos de 30 dias de conflito, mais de 900 libaneses (800 civis) e 70 israelenses (30 civis) já morreram. tudo por causa de dois soldados israelenses que o Hezbollah não aceita libertar, e então Israel teve seu pretexto para impor sua política. insanidade de parte a parte, paga com a vida de pessoas que nada têm a ver com isso. os números, neste caso, dizem muito sobre o desequilíbrio da força. conflito é eufemismo para guerra, e guerra é eufemismo para barbárie.

fico relutando em escrever sobre isso aqui, porque o assunto não combina com o título do blog. bem, de certa forma combina. não existe patifaria maior do que matar gente que vende comida e dizer “ops, foi engano”.

11 comentários:

Sean Hagen disse...
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Sean Hagen disse...

*


tá na hora da gente parar com a hipocrisia de justifciar todo a matança e horror que israel impõe aos países árabes da região pelo medo de reviver os traumas da 2ª Guerra, como se eles tivessem direito de fazer isso.
chega de hipocrisia.
desde que israel foi implantada na região, quantas pessoas já matou, assassinou, destroçou?
israel só entende de violência, de assassiantos e de terror. mas não quer para si, é óbvio, e por isso não aprendeu com o massacre que os praticantes do judaísmo sofreram na mão dos nazistas.
e não vamos esquecer que o Hezbollah nasceu como uma forma de barrar novas invasões de israel no líbano.
ou será que depois de ter a casa invadida várias vezes, de ver os parentes assassinados, ninguém tem direito a se defender?

que israel imploda e resseque com todo o ódio que a domina.

que bom ver vc se posicionando por aqui. o trocadilho que vou fazer é infame pro momento, mas é de grão em grão que a galinha eche o papo. e a consciência tem que ver de todo o lugar. pra um dia o mundo cortar as asinhas dessa catrefa israelita/norte-amerikana.



*

Leonardo disse...

Ei Márcia,

Entendo sua indignação (e a do Sean também), mas não compartilho da mesma visão. Não vou me aprofundar na discussão, mas tenho um certo conhecimento sobre estratégias militares e sua forte dependência dos serviços de inteligência amplamente combatidos por serviços de contra-inteligência, além disto, sobre o dinamismo tático de campo de batalha. Portanto, quando se lê uma notícia destas de armazém sendo bombardeado, há muuuuito mais por detrás do que você pode imaginar...

Mas este não é o ponto do meu post. Meu ponto é que se filosoficamente não há vencedores em uma guerra, infelizmente, na prática, deveria haver ao menos conquistadores e conquistados. Por mais absurdo que possa parecer, acho que um dos problemas dos conflitos armados modernos é que nunca há um vencedor/conquistador de fato, e isto só planta em todas os filhos da guerra a semente do ódio que suprirá os conflitos da década seguinte.

marcia disse...

LeonardoLeonardo, pois é... quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?

o problema é que, "visto de dentro", sempre encontraremos uma justificativa para a violência. por isso as explicações com base na crença religiosa e na etnia (o mesmo paradigma que mobilizou os nazistas), quando os governos estão de fato lutando por poder político e econômico, em uma terra que é berço do mundo e, convém lembrar, é riquíssima.

jamais defenderei o terrorismo, venha ele travestido da justificativa que vier. não aceito que os fins justifiquem os meios, esta é a ética de um Estado moderno falido. mas é a mesma ética que vejo sendo usada todos os dias, nas pequenas coisas, aqui mesmo, onde não estamos em guerra. triste, triste.

concordo com vc. o duro é ver que o ódio apenas se alimenta, de geração a geração, e torna-se mais explosivo pois a tecnologia bélica se aprimora. e sim, não existe anjo nesta história. mas quando morrem 900 de um lado e 70 de outro, algo está sendo dito.

debater é bom, seja lá qual for a posição. :)


Xon, vc sabe exatamente o que eu penso. meu passado me condena. :P

Leonardo disse...

Ei Márcia,

Bom que você jamais defenderá o terrorismo!! Jogamos no mesmo time! :) Mas não confunda terrorismo com violência pois são coisas totalmente distintas. Sobre a violência acho triste não apenas o ato em si, mas nossa necessidade viciada de a ela recorrer até hoje, mas apesar não promovê-la, a entendo e a aceito como fato. E tenho a impressão que você, como pessoa de bom senso, a aceita contrariada, enojada, como eu.

Exemplo: Ainda contrariado e enojado estou pronto a usar violência física para defender a mim mesmo e aos meus queridos, se atacado, portanto não posso ser hipócrita em não admiti-la em minha vida, mesmo que apenas no campo das possibilidades.

E falando em possibilidades é que fico mais triste ainda. Em plena época de teorias sub-atômicas, da física quântica, da anti-matéria ainda "precisamos" apelar para a violência, ao invés de gastar nossa energia tentando decifrar que a realidade sobre a qual pressupomos nossa existência histórica simplesmente não existe. Mas isto já é outra conversa...

Agora diz prá mim, o que é que 900 mortos de um lado e 70 de outro está dizendo???

E obrigado pelo bate-papo franco! :)

Cida disse...

O homem sempre foi matador e continua sendo, infelizmente. Antes,nos pirmórdios, era por uma questão de sobrevivência, e usam-se as mesmas armas e conhecimentos; hoje por questões de poder. A prisão dos dois israelenses só foi um pretexto pra israel mostrar que "pode" tudo. É claro que essa guerra é desproporcional, nota-se pelo número de mortes de um lado e do outro, assim como o foi invasão do Iraque pelos EUA. Eu me entristeço muito e acho que o diálogo sempre foi e será muito mais importante que qualquer força física.

Thelma disse...

Marcia, na segunda semana de guerra, as fábricas de produtos infantis, especialmente leite em pó, iogurtes, fraldas, foram bombardeadas e destruídas. O número de mortes civis, principalmente de crianças, nao pode ser coincidência ou erro tático - como eles alegam. O exército israelense, além de isolar a populaçao libanesa, quer dar uma de Herodes, em pleno século XXI.

Bruno Galera disse...

Ehud Olmert falou algo que resume todo o cerne do conflito: "quando nós matamos civis, pedimos desculpas. Quando eles matam, comemoram".

Sem mais.

Anônimo disse...

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