15 janeiro 2007

genocídio

e então a vida é assim. a pessoa se rasga para escrever um artigo. fica dias trancafiada em casa, enquanto um mundo desconhecido e sempre mais interessante gira lá fora. enquanto alarmes disparam e o sol se põe. enquanto os vizinhos brincam na piscina e martelam pregos.

e a pessoa, já mentalmente esfacelada, vai à cozinha e pega aquele pêssego. doce, suculento e cheio de texturas que não podem ser descritas em blogs de censura livre. a pessoa come o pêssego, o maravilhoso e inesquecível pêssego. e esquece o carocinho, o maldito carocinho, num pratinho em cima da pia. quando um pouco depois a pessoa volta à cozinha, o que aconteceu? ela ganhou na mega-sena? não. ela foi surpreendida por um telefonema com uma passagem para Barcelona? não. ela encontrou cem dólares presos na porta da geladeira, naquele ímã de Buenos Aires? não.

o que ela encontra são centenas de minúsculas formigas fazendo a festa no carocinho. pretinhas, agitadinhas, mal-educadas formiguinhas que saíram sabe-se de onde, que vivem às suas custas sem ao menos ajudar no condomínio. centenas delas, preteando a pia, o pratinho e atiradas de boca no carocinho. praticamente uma orgia pessegal.

o que a pessoa faz? liga para uma ONG de proteção aos animais? não. procura o número dos bombeiros e pede ajuda? não. telefona para a Célia Ribeiro para saber o que é educado fazer num caso visível de quebra de etiqueta como este? não. a pessoa sente os olhos brilharem e, em sua infinita maldade de ser superior, mata todas elas. todas. todinhas. trucida as bichinhas. em grupo, em bloco. genocídio.

quem mandou não saber se comportar.

21 comentários:

Adri Amaral disse...

tb terminei... ahhhhh só q amanha ainda vou dar uma revisada geral e enviar, agora preciso de um banho e de descanso.. boa sorte pra nós!!!

Larissa disse...

medo. o marido anda obcecado com formigas também. eu, enquanto não aparecerem as primeiras baratas (toc toc), tô tranqüila

Rosamaria disse...

tu é demais, pintinha!!!!

passa para o papel justamente o que eu sinto e não sei passar.

essas formiguinhas estão me deixando lóki, estão em toda parte! não dá pra ficar nada em cima da pia.
adivinha como estava quando cheguei em casa ontem???? fiz o mesmo que tu. somos muito más...

piu, piu.

Ana disse...

Pensei que Pintas se banqueteassem com formigas!

:)))

cida disse...

Como és má!!!Nunca mais as bichinhas serão tanajuras.

Dei boas gargalhadas com a forma de contares sobre o genocídio das pretinhas.

Graziana disse...

hahahaahaha
as formigas são umas pestes né!
eu corro delas, tenho alergia...
que bom que terminou o artigo :)
um dia me inspiro e começo a mandar artigos pra congressos também :)

Sean Hagen disse...

*


eu acho que pago pela minha infância, já que meu apartamento tá infestado, todo verão é a mesma coisa.

mas quando eu era pequeninho, gostava de derrubar os formigueiros que elas faziam.
largar tijolo em cima.
destruir com o jato da mangueira.
mas o preferido era queimar garrafa plástica em cima.

hoje são elas que brincam comigo.
e vejo um certo tom de revanchismo em cada mordida.



*

Vini disse...

formigas? que culpa elas têm? na real, acho q esse prazo da compós podia ser estendido, em benefício das formigas e das "lesmas" como eu q nunca se planejam a tempo...rs

vagem again disse...

o morticínio de insetos sempre me interessou. desconfio, mesmo, que véve debaixo da minh'alva pele um serial killer cascudo com seis patas e quatro antenas. mas minha crueldade também atende pelo nome de covardia: só escolho como vítimas as formigas, em geral diminutas e pouco ameaçadoras, e fujo feito mulherzinha histérica das temidíssimas e cascudas baratas, que não sou boba nem nada. mesmo o mais superior dos humanos exterminadores padece de risíveis fraquezas...

Gui disse...

não sei porquê, mas lembrei de uma frase do filme Todo Poderoso, que era mais ou menos assim, Deus é um menino sádico com uma lupa brincando com uma formiga em um dia de sol, e nós somos as formigas.

Rodolfo De Carli disse...

aqui em casa tem umas formigas que me incomodam enquanto eu lavo a louça. meu método de tortura favorito e largá-las dentro de um pote cheio de água só pra vê-las nadando. que prazer... morre formiga!
o pior é que elas são bem pequeninhas e eu acho que a entrada para o formigueiro é no rejunte do azulejo (ou do vermelhejo tendo em vista que eu sou colorado :P).

sapollium disse...

minha refeição pós-trabalho pode não ser tão saudável, mas pelo menos não junta formiga: Bitucas de marlboro.

Nanachara C. disse...

como vc matou elas?
eu gosto de afogar.

Maroto disse...

vá escrever bem assim no meio do formigueiro, dona pinta: cumé que pode me fazer gargalhar na frente do computador lendo uma descrição de um trivialidade dessas?

La Carmencita disse...

¡Asesina!
¡Asesina!

¡Hormigas unidas
jamás serán vencidas!

Leonardo disse...

Na minha época, eu pegava fósforo e fazia churrasco...

Leonardo disse...

Na minha época, eu pegava fósforo e fazia churrasco...

vagem again disse...

aprendi com um veterinário a matar carrapato, pra não haver chance de descendência. 'ranca o pusilânime do couro do bicho, taca dentro duma lata alta, joga álcool, mete fogo e vai vendo o talzinho cozinhar até torrar. no final, ele explode num póf seco que é a alegria de qualquer torturador. ando tramando adaptar o método às formigas, muitas formigas, talvez até um formigueiro inteirinho. babo só de imaginar o espetáculo dos momentos derradeiros: comparável ao foguetório de ano-novo em copacabana. cousa marlinda!

Maitê disse...

Tá todo mundo louco com esses artigos. Todo mundo que eu conheço está fazendo artigos... E quantas as formiguinhas, tá louco, na minha casa não dá para deixar nada, há várias formiguinhas brancas, que não aparecem normalmente, só quando minha mãe faz bolo de chocolate. Nem em cima da geladeira elas dão trégua... Abs

Jousi disse...

é legal ficar encurralando elas no canto da pia sem parar. ficam bem lôcas. mhuhauhuhahuhuhu.

Lu disse...

hahahaha. A Rosa me mandou o linck pra eu ler...hehehehe.
Mas eu também mesmo preterindo as formigas ao frio, faço isso TODO santo dia na pia da cozinha. Trucido elas. Todinhas!
E as lá de casa são tamanho família, aquela pretas enormes, horrorosas.