30 julho 2006

xx e xy

volta e meia aparece um intelectual defendendo o retorno às cavernas. sabe como é, um bom polemista tem espaço na mídia, vende bem e tem lá o seu charme junto às moçoilas casadoiras que gostam de obedecer a um senhor. se o cara for professor de sociologia da Universidade de Harvard, como Harvey Mansfield, tanto melhor.

em seu livro, “Manliness” (Masculinidade), Mansfield diz que homens e mulheres são diferentes. ooooohhhhh. uau. nossa. desmaiei. em alguns aspectos os homens são superiores às mulheres, diz ele. oooohhhh. uau. puxa. sério? eu nem imaginava. claro, há que se supor que em alguns outros aspectos as mulheres sejam superiores aos homens, pois aí está a lógica da diferença, mas esta parte não consta da entrevista que ele concedeu a Sérgio Dávila.

o professor de Harvard tem uma noção particularmente interessante sobre o “lado bom do feminismo” e a dupla jornada de trabalho. vejamos como um peixe conservador morre pela boca:


“Vivemos em sociedades avançadas, que transformaram um pouco os papéis que os homens e as mulheres devem cumprir. As mulheres não podem ser tão tradicionais como deveriam ser, elas precisam trabalhar para ajudar a sustentar suas famílias. E também não há mais trabalho suficiente em uma casa para uma mulher fazer depois que os filhos estão crescidos, elas ficam sem ocupação. Também acho que as mulheres de hoje dão valor ao reconhecimento que recebem por ter um trabalho. Esta parte do feminismo é muito boa, e nós nos ajustamos bem ao fato de que as mulheres estejam no mercado de trabalho. Mas as relações em casa é que estão mais confusas, e é lá que eu acho que a tradição precisa ser mais respeitada.”

o espertinho gosta que sua mulher trabalhe, pois isso ajuda a sustentar a família e ele já não tem a obrigação de pagar todas as contas — inclusive o cabeleireiro dela, já que ele é tão tradicional. mas é dentro de casa que o negócio fica “confuso”, pois “lá”, no espaço sagrado do lar, o homem superior tem que dividir as tarefas domésticas, próprias do ser inferior que é a mulher. que desrespeito. que indignidade. logo ele, tão melhor que ela. logo ele, tão... tão... tão masculino!!! tão macho!!! tão y!!!

estas mulheres indignas mereciam mil chibatadas, ora. ainda bem que no mundo das pintinhas isso não acontece. quem manda é o galo, e pronto. dizem, né?

15 comentários:

Adri Amaral disse...

que ridículo!!! ainda bem que nem todo mundo pensa assim no meio acadêmico dos EUA. No depto. onde eu estudei pelo menos, o discurso era bem outro. e massachussets é um dos estados mais "liberais" dos EUA, pena q esse idiota fique legitimando seu machismo com livrinhos como esse.

Leonardo disse...

Ahhh... Márcia, vem cá! Entra aqui na fila das chibatadas!!! Mulher moderna tem que ser assim, bravas secretárias, doces Amélias, mães cordatas, senhoras de respeito e putinhas de um homem só!
Hahhahaha....

Agora, falando sério, coitadinho do nosso amigo Mansfield... mal sabe ele que sua prerrogativa nasceu morta porque hoje, só mesmo cego para refutar o potento feminino que casa bravura com "pussy power". Nesse novo galinheiro, galo canta quando a galinha quer...

Thelma disse...

Ser homem pode ser distinto de portar o "Y". Portar o Y é uma questao de postura na vida. Nao tenho dúvidas de que esta postura impede/inabilita o ser humano para muitas apreciaçoes/percepçoes sutis e significativas. O "Y" está ligado ao egocentrismo infantil dos homens, à prepotencia hiper natural deles, à ignorancia com relaçao ao universo feminino...
Tenho certeza que tu já tomaste um ônibus ou um aviao ao lado de um "Y". Eles vao sempre com as pernas bem abertas, sem nenhum respeito pelo espaço de quem vai ao seu lado - a menos que seja outro "Y". Isso em 100% dos casos!!!! Em qualquer situaçao, o "Y" primeiro acomoda seu corpo/ego. O que sobra é para o companheiro de viagem - ou de vida. E é tudo tao super natural! É tudo tao normal! Esta postura masculina, invariável e indiscutível - por ser tao natural! -, facilita a percepçao das mulheres de que a prática cotidiana masculina é inequivocamente distinta do que alguns podem discursar. A violência diária contra as mulheres prova isso. E ainda tem quem busque desesperadamente um "Y" autêntico, legítimo e representativo desta atrofia que me refiro. Como disse anteriormente, ser homem PODE ser distinto de ser "Y", mas, como sabemos, nao necessariamente o é.

marcia disse...

adriana, o livro vai vender como água. :P

leonardo, acho que na casa do Harvey Mansfield (não parece pseudônimo?) quem canta de galo é Mrs. Mansfield, mesmo. :P

thelminha, entendo o que vc fala, concordo com vc e nunca me intimidei diante de um "homem y" (que aliás nunca me provocou nenhum interesse). mas, pela mesma lógica, temos as mulheres "x", que usam seu poder de sedução feminina para manipular os homens (e as outras mulheres) e conseguirem o que querem. acho ambas as coisas abomináveis. estou cansada de ver isso, mulheres dissimuladas se fazendo de frágeis, e os homens caindo como patinhos, enquanto elas são capazes de matar o trouxa com um punhal rosinha cheio de lacinhos. e matam mesmo, com um sorrisinho do tipo "hihihi".

Sean Hagen disse...

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que gritaria é essa?
isso aqui até parece um galinheiro!
(:p)
é só fazer post sexista pra dar polêmica, vender jornal - equentar blog, huáhuáhuáhuáhuáhuá -, deixar as pessoas com a razão embotada. são tantas as variáveis que envolvem os compratamentos, todos nós sabemos.

agora, têm umas que vêm das diferenças físicas mesmo.

Thelmita, meu xuxu, às vezes as configurações anatômicas masculinas caem de mal jeito.
há duas opções: ou dar uma patolada pra botar as coisas no lugar e ser acusado de tarado e bagaceiro, ou sentar de perna aberta e ser taxado de troglodita cultural. no frigir dos ovos, seremos detonados pelas duas.

o difícil é saber qual agride menos a anatomia oposta.


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Ana disse...

Delícia te ler! Indignação e humor na dose certa!

Do alto do mundo das pintinhas parece que tudo fica mais claro!

Sabe o que me perturba? "Educar" um filho homem! Tenho um de 22 anos e as vezes não acredito em algumas coisas que ele fala! É complicado, Pinta!

marcia disse...

xon, como assim, "no frigir dos ovos"? e que foto sexy.

ana, "do alto do mundo das pintinhas"? hahahahahahaha... tô me matando de rir aqui, sentada no rodapé balançando as pernas.

Thelma disse...

Para o "meu" amado Sean (digo isso neste blog para que a autora do mesmo sinta a força do nosso vínculo/amor!...e morra de inveja, claro!!!)

Tu sabes bem que a configuraçao anatômica é uma desculpa para o trogloditismo cultural. Entendo que os homens nao possam estar de pernas cruzadas todo o tempo, como eu gostaria que fosse, mas tem limite para a abertura corporal. Limite é a palavra-chave, nesta situaçao.

No nosso caso, por exemplo, tu podes colocar as duas pernas sobre as minhas, podes deitar a cabeça no meu ombro, podes abrir teu largo sorriso...e eu nao me sentirei invadida, porque sinto que tu nao tens esta postura de "Y" na vida.

Bjs.

marcia disse...

thelminha, não adianta me provocar. eu já entendi há meses a força deste vínculo/amor/sei-lá-o-que-entende que une estes xx e xy em particular.

mas que é meio desaforado vir aqui abrir a cauda de pavoa pro xon-pen e nem me deixar um beijinho, isso é. pode esperar a retaliação, piu piu.

Thelma disse...

Vixe Maria.....mil beijinhos, piu!

Sean Hagen disse...

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THELMINHA, meu amor:
como assim gostaria que os trogloditas ficassem de pernas cruzadas todo o tempo?
tá, esquece, tô pensando agora é no teu convite.
e isso de dará aqui ou aí?
sugiro aí, é óbvio, onde a cultura domou a troglodisse do povo.
preciso estar barbeado ou posso continuar assim mesmo?


*

Thelma disse...

Desculpa aí, piuzinho, mas tenho que responder ao meu amado Sean...

Xonzinho, já disse inúmeras vezes que estou te esperando aqui. Podes vir com barba ou sem ela. Tu nao tens a postura de macho ibérico, coçador de saco e prepotente. Podes vir de qualquer jeito. Serás bem-vindo! Nao tenho dúvidas que vamos nos acompanhar bem.

Tu tens skype? Se tiveres, podemos falar quando eu estiver no Recife. Por enquanto, eu estou sem Internet aqui. Bjs.

Sean Hagen disse...

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usei o skype poucas vezes no outro pc.
nesse eu nem cheguei abaixar.
mas essa viagem ainda não é pra agora, thelma.
apesar das maravilhas espanholas, das pernas entrelaçadas e da cabeça no colo.
:(



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jcarlos disse...

Engraçado como algumas coisas - que nem precisam ser tão importantes - deixam suas marcas. Menino, onze doze anos, li no Correio do Povo, não este, o outro, o do Breno Caldas que para ler, criança, tinha que ficar de braços abertos como um crucificado como o jornal quase colado ao rosto, uma reclamação, provavelmente de uma senhora muito incomodada com o hábito dos homens se escarrapacharem de pernas abertas nos bancos dos bondes. Não, ela não estava incomodada, estava indignada.Bom, isto foi ha. muito e muito tempo. É bem provável que vocês nem tivessem conhecido o Correião.Talvez só de ouvido falar na faculdade. Pois a partir daquela leitura, nunca mais me sentei num banco de bonde, ônibus, avião, cinema sem que logo me desse conta de juntar as pernas, sem nunca chagar ao exagero de cruzá-las. Isso não cheguei a aprender. Mas, de qualquer maneira, são quase cinqüenta anos fechando as pernas em respeito às mulheres! Portanto, meu caro Sean, a anatomia deverá se subordinar ao direito de outras pessoas, homens também, não se sentirem incomodadas com pernas esparramadas em bancos e poltronas. É questão de aprendizado, educação, como dizia minha avó.

Anônimo disse...

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