01 fevereiro 2008

leitor

o jornalismo só deveria ser produzido pelos conseqüentes. só deveria ser praticado por aqueles que sabem que ao menos um leitor será afetado por suas palavras. e que este único leitor, seja ele assim ou assado, more ele aqui ou acolá, ganhe ele muito ou nada, este único leitor não merece menos do que a verdade.

quando um jornalista profissional se apodera de um texto que não é seu, e o assina como sendo seu, ele não está sendo apenas leviano. também é muito mais do que um crime – previsto em lei – o que ele comete.

ele demonstra seu desprezo pelos princípios basilares do jornalismo. ele revela que o leitor não vale nada. ele mostra como subestima o jornal para o qual escreve e o editor para quem submete “seus” textos. ele exibe seu caráter, ao imaginar que o verdadeiro autor não se sentiria ultrajado. ele evidencia sua incompetência e seu despreparo para exercer a profissão, no mau domínio das leis e do exercício da ética.

eu trabalhei como jornalista. ensino, pesquiso e leio jornalismo. se existe algo inegociável, para mim, é a postura ética do jornalista. entre outras coisas, isso diz respeito a como o profissional se comporta com as fontes, como constrói uma pauta plural e como lida com as informações que vêm das assessorias. tudo isso porque, no final, está um leitor. pouco importa se é um jornal grande ou pequeno. basta um leitor, unzinho só.

o leitor brasileiro é maltratado de todos os lados. pela invasão da publicidade, por certos colunistas que são menos especialistas e mais cães de guarda dos donos das empresas, pela falta de crítica contundente, pela informação cada vez menos contextualizada, por profissionais sem memória, por informações irrelevantes de subcelebridades.

isso já basta para compor um quadro injusto com o leitor. não é preciso somar a ele o ultraje do plágio. é jornal? é jornalismo? é jornalista? então respeite seu leitor.

17 comentários:

Adriana Amaral (Lady A.) disse...

conta ai de quem é que tu tá falando...rs

Chawca disse...

Pelo jeito te plagiaram ou alguem muito próximo...

Não sou a pessoa mais gabaritada para analisar a fundo, mas muito do que vc disse é visível até pra quem não é jornalista...

Bendito ou maldito CTRL+C, CTRL+V..

Um beijo e ótimo fim-de-semana

Cida disse...

Infelizmente muitos acham que a ética está em desuso. A falta dela não está só no meio jornalístico, estamos infestados por esse mal no nosso dia-a-dia e, por pior que possa parecer, no meio acadêmico, onde se deveria contribuir para a formação de cidadãos e cidadãs comprometido(a)s com a verdade e com o respeito ao próximo. Tenho a sensação, há um certo tempo, de que os valores estão invertidos. Os éticos são os "otários", os bobões. No entanto, é melhor ser bobo a ser "inteligente" a custa de falcatruas e desonestidades.
Para esses inteligentes de plantão, acredito que a lei poderia ser invocada, assim quem sabe eles pensariam duas vezes antes de adquirir um direito que não lhes pertence.Enquanto a lei não é requerida, fico só pensando até onde uma carreira dessas pode chegar. Obviamente que não irá longe, um dia, inevitavelmente a verdade virá à tona
Um abraço

luís felipe disse...

também estou curioso para saber o que aconteceu

Maroto disse...

diz quem foi que eu vou sobrevoar o infeliz para ele pensar que está nas últimas. Se der uma chance ainda assopro que vai pro inferno por ser um canalha anti-ético. Vamos ver se não perde o sono :X

MC disse...

quem? onde? quando? :P

Leonardo disse...

Neném, agora espalhe a falta de ética para todo e qualquer nicho profissional, eleve à enésima potência, misture bem, distribua em doses cavalares para alguns e em doses menores para outros. Esta é a receita da sociedade contemporânea...

Marcia disse...

mais informações no decorrer do período, assim que for possível.

grande abraço a todos. :)

LU K. disse...

uma pessoa q muito me fez sofrer dizia "a ética é o exercício da profissão".

eu mudou um pouco e completo "a ética é o exercício da vida!".

nada melhor do q dormir com a consciência tranquila no travesseiro...

beijos e valeu a ajuda

Rosamaria disse...

nem precisa ser jornalista pra pensar assim, pinta.
bjim.

Carmencita - geleiairreal.wordpress.com disse...

Sobre a alta rotatividade de livrinhos na barra da direita do seu blog:

Espanta-me como a leitura de um livro pode ser tão impermanente. Em poucas horas devoram-se livros que levaram meses para ser escritos. O deleite é tão mais fugaz que a produção...
Eu, analfabeta em vários idiomas, não consigo ler tão rapidamente.

Será que permanece alguma coisa da exata hora da simples fruição da leitura? Será que o hedonismo é o que de mais permanente existe entre os seres animados?

Arnaldo disse...

Pinta,

Isso não acontece só com os jornalistas. Acontece com todas as profissões. Pode-se apoderar-se de um texto como pode-se apoderar-se de uma idéia. E aí, não é caso de competência ou competência. É caso de mau-caratismo mesmo.

mimi disse...

não é linda a tal sincronicidade? há cousa de dias mimoseei uma preciosa amiga com esse - fabuloso! - italo calvino (jornalista à vera, pra não perder o fio da postada) que tem te ocupado. (eu, matreira véia que não dá ponto sem nó) agora tô babando pra ela me emprestar logo o voluminho. tás te deleitando com mais essa magavilha do hômi, pinta?

Sean Hagen disse...

*




o tabu se estabelece numa sociedade pra manter a ordem que não pode ser quebrada de forma alguma, como pena de dissolução do já existente.

quando um jornalista plageia, mostra que não incorporou nada da longa discussão que se trava no dia a dia de uma redação. uma discussão que começa bem antes, na faculdade. e antes ainda, nas primeiras noções de moral qua o grupo estebelece.

lamento que o mundo esteja tão leviano com alguns valores, mas não ter moral pra entender a gravidade de se infringir a ética é dose demais.

se há lei, que se cumpra.
e que esses profissionais sejam jogados no limbo do esquecimento, seja apontados como incapazes e anti-éticos em qualquer redação que botem o pé.

acho que punição exemplar deve haver, mas não acredito numa redenção que se dá instantaneamente, sendo guiada apenas pela dor que sente no "bolso".






*

Carlos Eduardo Carrion disse...

No hay que aflojar. Uma vez perguntaram a um polonês, quem era para ele pior. Os alemães ou os russos. Os russos. Para os alemães podemos perder o que temos ou a própria vida. Para os russos perderíamos a alma.
Um jornalista sem alma, é apenas uma coisa.

Capitão Ócio disse...

Chacrinha já dizia: "... nada se cria, tudo se copia!"

Cássia disse...

Pelamordedeus, conta o que houve! :-)