01 julho 2010

o explorador

toda criança tem prazer em explorar. um lugar, um jogo, uma narrativa; uma invenção, uma possibilidade. esta maravilha de explorar se mantém ao longo da vida, nas grandes ou pequenas aventuras de descobrir e conhecer. 

não me parece que nas relações seja diferente. continuamos a ser um tanto infantis, um tanto medrosos, um tanto excitados neste exercício de avançar e recuar que é típico da exploração de um território. você tenta um caminho ou uma abordagem. dá certo, descobre algo que agrada, vai em frente. então se depara com um imprevisto, com um obstáculo, não sabe como agir ou que rumo tomar. desiste um pouco, avalia o custo, sente-se tentado a continuar. por aqui, por ali, quem sabe por lá?

se o território a ser explorado é um cérebro fascinante, a aventura vale por si mesma. é a brilhante fala de Eduardo Galeano: "a utopia está no horizonte. me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. caminho dez passos, ela se desloca dez passos. por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. então, para que serve a utopia? para isto: serve para caminhar". 

o cérebro fascinante é este que constrói um horizonte. se revela e se esconde, fala e se deixa em suspenso. e então nos pomos em movimento, vamos atrás do que ele contém. é a aventura de ver algo que antes não estava lá, porque aquela pessoa não estava lá. é a maravilha de vislumbrar outras luzes e outras sombras, que não as suas próprias. explorar este território é exercer uma vontade, permitir-se uma delicadeza, dar-se um presente. com mais pressa, com menos pressa, que importa? é quase impossível expressar o prazer da aventura de explorar um cérebro fascinante.   

6 comentários:

Nina disse...

Marcia,

adoro seus textos, o que leio e o que se descobre. Gosto de quem deixa espaço para o leitor. Acho que é o que torna as experiências únicas, universais.

Um viva aos cérebros fascinantes (e aos corpinhos bonitos também, rá rá rá!)

bjo

Mariana disse...

nossa, márcia, como tu escreve bem. sempre que um post teu chega nas minhas madrugadas de Google Reader eu paro tudo e leio e adoro essa tua simplicidade de explicar as coisas. e ao mesmo tempo eu tenho certeza que o que eu entendi do texto só faz sentido pra mim, pq pra ti teve uma outra razão em escrever. e isso que é o mais bacana!

Dalys disse...

Marcita, como haces para escribir tan lindo!
Me mata esa capacidad que tienes de escribir estas cosas del cotidiano. Me identifico con ellas, como todo el mundo, las he vivido, las recuerdo. Solo que cuanto tu las describes, adquieren un cariz espléndido, mágico, maravilloso y único.

Marinha disse...

Fascinante! Instigador! Adorei o texto!

by pri rossi disse...

Adorei, muito bom mesmo =)

Caco disse...

bárbaro, pra variar.
bj