
30 Março 2007
chapa quente

29 Março 2007
o balanço da rede
a Raquel traz uma discussão interessante no post “o fim do Orkut?”. recomendo que dêem uma bicada lá.
28 Março 2007
gente no mundo
Poema em Linha Reta
[Fernando Pessoa]
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
27 Março 2007
e a versão patife
fazer uma tattoo no ombro
seduzir o galo
botar um ovo
pôr fogo na Sadia
dizer cóóó
5 coisas que eu faço bem
ciscar
rebolar
fazer biquinho
fugir do espeto
posar pra Playchicken
5 coisas que eu mais digo
piu piu piu
e aí, galo véio?
foi bom pro pinto?
o mundo é um ovo
eu sou apenas uma pintinha
5 coisas que eu não faço (ou não gosto de fazer)
gemada
usar rímel
usar desodorante roll-on
tentar voar
dividir minhoca
5 coisas que me encantam
espiga de milho
cafunezinho
homenagens
pinto molhado
minhoca na manteiga
5 coisas que eu odeio
perder peninhas
que falem dos pés da minha mãe
que cortem minhas asinhas
omelete
felinos em geral
26 Março 2007
vamulá
fazer a Patagônia de carro
viver em Lisboa
ler as linhas da mão
morar numa casa com cachorro
fazer pão
5 coisas que eu faço bem
dormir com chuva
rir com o Níquel Náusea
ouvir
saladinhas
massagem
5 coisas que eu mais digo
é foda
me poupe
piu piu
uau
olha a lua
5 coisas que eu não faço (ou não gosto de fazer)
passar roupa
comer fígado
usar unha comprida
iluminar a casa toda
trair amigos
5 coisas que me encantam
lua amarela
pequenos carinhos
bom humor
lealdade
personalidade
5 coisas que eu odeio
calor
preconceito
gente que grita
música de vizinho
os falsos frágeis
roubei da adriana. e repasso para xon, thelma, mimi, marcos, ana, rosa, grazi, ederson, reges, leo, urubu, carrion, carmencita, vivien, maitê, jousi, sapo, raquel e quem mais desejar responder. piu piu.
20 Março 2007
tiro meu chapéu
agora, quando Lula refaz seu quadro de ministros, o PMDB abocanha cinco pastas (Integração Nacional, Saúde, Minas e Energia, Agricultura e Comunicações). não são apenas cinco ministérios, eles detêm a maior fatia do Orçamento. o PMDB é com certeza o partido mais fisiológico da atualidade, deixando para trás o famigerado PFL, com quem tudo aprendeu. onde estiver o poder, lá estará o PMDB, ocupando seus carguinhos. ops, seus cargões.
Geddel Vieira de Lima já tomou posse na Integração Nacional. Geddel, o sexto deputado mais ausente nas sessões da Câmara no último mandato, aquele que faltou a 41% das votações, mas nunca recebeu apenas 59% do salário. Geddel, que foi acusado de enriquecimento ilícito pelo ACM (vejam só). ex-opositor do PT, Geddel chamou Lula, em sua posse como ministro, de “líder e agora comandante”. ups.
o PMDB também ressuscita Reinhold Stephanes para a pasta da Agricultura. Stephanes, o ministro de FHC e de Collor. Stephanes, o cara que se aposentou com 22 anos de serviço público e acumulava a aposentadoria com o salário de ministro (da Previdência, ora pois).
ups. ups. ups. ainda bem que no mundo maravilhoso dos pintos não tem este negócio de política.
17 Março 2007
playchicken
se tem uma coisa que me faz rir são os e-mails de vírus que chegam na caixa postal. como todos vocês, já fui alertada sobre fofocas cabeludas, recebi fotos de amigos de infância, avisos de que estou sendo traída e declarações de amor que fizeram meu ego revirar os olhinhos. a criatividade humana não tem limites, ainda mais quando agregada de maldade. o assassinato da língua portuguesa, nestes casos, também não conhece fronteiras. mas fiquei super hiper mega assustada quando fui acusada de pedofilia:
DPF/BR - A Policia Federal vem em meio deste lhe comunicar que após um breve tempo de investigação, foi notado que seu computador está sendo usado como veículo de mensagens e fotos pornográficas onde as mesmas incentivam a prática da Pedofilia (É Crime).
Não só fotos de Terceiros foram encontradas, As Suas também foram divulgadas em um famoso site pornográfico.
Segue Abaixo o Quadro Relatando Fotos:
Dossiê de Fotos Apreendidas no seu Computador, Onde há a Presença do Crime de Pedofilia (Link de Fotos 1)
Suas Fotos, sendo divulgadas em Diversos Sites Pornográficos (Link de Fotos 2)
Em atendimento do ofício nº 4877/01-jsp, de 11 de Abril de 2001 determinado pela Juíza Federal da 5ª Vara Federal Criminal, Margarete Sacristan A Policia Federal tem o livre Arbítrio Monitorar todas as suas ações feitas pela internet, e dar inicio a um inquérito de Crime de Pedofilia, Formação de Quadrilha, Difamação e Veiculação de imagens.
As investigações irão seguir, caso queira a ferramenta executável para prevenir o seu computador de qualquer tipo de vírus, spywares e programas que roubam fotos do seu computador. CLIQUE AQUI
meu deus. meeeuuuuu deus. eu nunca imaginei que minhas fotos da Playchicken estivessem circulando por aí. principalmente esta aí acima, em que o J.R. Duran me fez posar só de meias para agradar os fetichistas que gostam de pintinhas colegiais.
fiquei estarrecida também em saber que a Polícia Federal apreendeu fotos do meu HD. e se eles pegaram aquelas fotos em que estou amarrada como um matambre? ou aquelas em que estou aninhada entre dois ovinhos suculentos? meeeeuuuuu deus. não sei o que fazer agora. alguém, por favor, me ajude. estou chocada. piu.
15 Março 2007
inveja, esta incompreendida
em seu post, ele chamou de ciúme o que eu julgo ser inveja. numa longa conversa de bar, ontem, não chegamos a consenso algum. tracei emaranhadas filosofias a respeito da inveja e do ciúme, fiz mapinhas com o dedo riscando a toalha, simulações do sujeito A com o sujeito B e o sujeito C. ele retrucou com outras filosofias enozadas, definiu termos com sua paixão singular pelo debate, para no final concluirmos que não havia conclusão possível. bem como devem ser as melhores conversas de bar.
o problema todo está nas definições. para ele, a inveja é essencialmente má. os dicionários concordam com ele, ou ele com os dicionários, não importa. para mim, porém, é a moral que interpõe à inveja um sentido intrinsecamente mau. esta noção de que invejar algo é necessariamente destrutivo – no meu entender, volto a frisar – é cultural, aprendida e, por isso, não me serve como essência.
usei um exemplo banal ontem. tenho uma amiga que tem um talento espetacular para usar as cores. além de conhecimento e experiência, ela é talentosa no equilíbrio e contraste de suas propostas imagéticas e extremamente criativa. eu reconheço nela este talento, é algo que admiro nela. no entanto, não a invejo por isso. não é algo que eu particularmente gostaria de possuir, não é algo de que sinta falta. apenas admiro, sinceramente, sem invejar. isto é admiração: o reconhecimento de que o outro tem algo que eu não tenho, algo que é bom ou especial. e ficamos por aí. é bom admirar coisas e talentos nos outros, me dá a certeza de que o mundo é plural, é vasto, é maior do que as minhas potencialidades. é um alívio saber que outras pessoas podem fazer tantas coisas melhor do que eu. sim, admirar é bom.
tenho outra amiga que tem algo que eu invejo: uma coragem imensa para superar dificuldades. uma coragem que tantas vezes me falta, pois eu me acanho onde ela se joga. no entanto, não quero que ela deixe de ter a coragem que eu não tenho e não quero que ela se dê mal em função desta coragem. apenas gostaria de ter também o que vejo nela. invejar, então, começa a se definir pelo simples reconhecimento de algo que existe fora de mim e que eu gostaria que existisse também em mim. isto é intrinsecamente mau? não. o certo e o errado, o bom e o mau começam a existir a partir do que eu desejo para o outro (e, claro, a partir do que eu decido fazer concretamente).
se quero privar o outro ou puni-lo pelo que sobra nele e em mim faz tanta falta, esta é a inveja má. esta é a inveja corrente, dicionarizada, restrita pela cultura e sua moral. esta é a inveja que faz alguém puxar o seu tapete, inventar algo que você não disse, ironizar qualquer conquista sua, fazer um comentário maldoso sobre seus avanços. esta é a inveja que corrói, seguindo a lógica do desdém (quem desdenha quer comprar?) ou a lógica do cinismo.
mas... e se eu invejo algo que outra pessoa tem (ou sabe) e quero ter para mim também, sem que o outro perca? não é apenas admiração, pois posso admirar algo sem desejar ser ou ter aquele algo. é mais que admiração, é o que eu chamo de inveja boa: vejo algo que me encanta e me faz falta, vejo alguém em que posso de certo modo me espelhar. quando penso nesta amiga e em sua coragem, sempre concluo “eu gostaria de ser assim”. tenho aquela pontinha de inveja que me impulsiona para algo, sem desejar nem por um momento que ela perca sua coragem apenas porque eu não a tenho.
o que quero dizer, com tudo isso, é que a linguagem é traiçoeira quando estamos tratando de sentimentos. é difícil transitar neste labirinto de definições, porque sempre acabamos esquecendo que as conceituações decorrem de um longo processo cultural, impregnado de moralidade. quando limpamos um termo de seu conteúdo moral, chegamos à nossa humanidade. e nossa humanidade é socialmente perigosa, pelo que contém de subversivo.
eu invejo quem cozinha bem e sabe manejar facas ao cortar cebolas. eu invejo quem sabe andar de bicicleta, quem não sua, quem dorme bem. eu invejo quem come e não engorda, quem tem dinheiro para viajar, quem lê Goethe no original, quem entende de cinema, quem faz a Europa de mochila. eu invejo quem compreende Nietzsche, quem dança tango, quem sabe escolher vinhos, quem entende de moda, quem goza sete vezes, quem faz belos poemas. eu não admiro, apenas, as pessoas que têm todos estes saberes. eu gostaria de saber e fazer tudo isso também. mas isso não significa que eu fuzile com o olhar o cara da bicicleta, deboche de um amigo que teve uma excelente noite de sono ou deseje que todos suem bicas na Porto Alegre de fevereiro. isto seria mau, mesquinho e destrutivo. que nome eu poderia dar a todas estas sensações, quando reconheço em alguém algo que me faz falta? não é inveja?
o problema todo é que, como fomos ensinados a compreender a inveja como essencialmente má, nós jamais admitimos ter inveja de alguém. a inveja é um dos sete pecados capitais, diz a ideologia cristã. todos os sete pecados, que na verdade foram criados para não deixar a luxúria reinando sozinha (tornando fácil desqualificá-la como um pecado), são absolutamente morais. quando digo que são morais, reconheço que em sua formulação existe uma tentativa de regramento social, pois é a partir da moral que certos limites são impostos para que a vida em sociedade não vire um jogo de vale-tudo. mas, quando pensamos sobre isso, acho interessante cutucar mais fundo para despir os sentimentos da roupagem cultural.
quanto ao ciúme, é certamente um dos sentimentos que mais faz sofrer. ele é parente da inveja, mas é muito pior do que ela. o ciumento quer o outro para si, não aceita dividir, basicamente por insegurança. tem medo de perder se houver uma comparação, tem medo de não ser mais o objeto merecedor de atenção, amor e desejo. o alvo do ciúme se sente tolhido, cerceado e vê sua lealdade posta em xeque, o que é altamente destrutivo. o ciumento se sente menor, humilhado, impotente e ridículo. o ciúme nada tem de positivo ou enriquecedor, pois traz consigo uma noção triangular: eu só tenho ciúme de alguém em relação a um terceiro, e neste movimento eu acabo tirando deste alguém a sua liberdade e individualidade. o ciúme arrefece com a maturidade, quando a gente compreende que amor bom é amor livre, é amor que fica porque quer ficar – para todo o resto, existe Mastercard.
14 Março 2007
o fundo do poço
na TV aberta, o que eu via de madrugada até o sono chegar? os programas da Igreja Universal do Reino de Deus. lembro de coisas hilárias. um dia era uma espécie de mesa-redonda. no “debate”, uma psicóloga, um empresário e um advogado. todos evangélicos, todos narrando o poder da IURD. de repente o bigodudo esquálido lascou: “como advogado, eu atesto: Deus realmente mora na Igreja Universal do Reino de Deus”. ups. e ele pelo menos ajuda no condomínio? bom, sei lá, o cara é advogado, e os advogados sabem das coisas. em dias como este, o sono ia embora e eu ficava de olho vidrado admirando aquele mundo inventado.
mas o que mais me chamava a atenção eram os depoimentos recorrentes de como a vida havia se transformado depois que o vivente se convertera. havia um passado de dor e tragédia, o famoso “fundo do poço” e depois um presente de redenção, sucesso e felicidade. nenhuma mazela era desprezível, e todas elas tinham uma única origem: a ação do Diabo sobre a vida do descrente. a Igreja Universal, todos sabem, recupera doentes de Aids, maridos violentos, mulheres infiéis, casamentos desfeitos, ruínas financeiras, alcoolistas e, claro, homossexuais.
como ciência a gente faz quando fica intrigado com o que se repete, acabei transformando esta curiosidade no meu projeto de doutorado, e a tese que defendi na PUC de São Paulo, em 2000, foi sobre os testemunhos de fé exibidos em um programa da TV Record – o impagável “Fala, que eu te escuto”. analisei a estrutura narrativa destes depoimentos, centrada nas figuras de Deus e do Diabo. foi incrivelmente interessante resgatar o mito do Diabo em diversas culturas e religiões. o que descobri ao estudar o bem e o mal foi o grande poder moralista das religiões, que buscam regrar o que é apenas humano.
durante os anos em que pesquisei a IURD, li muito sobre o bispo Edir Macedo. não posso deixar de admirar a inteligência de um homem que transformou o medo alheio em uma fábrica de fazer dinheiro. as histórias são incríveis e são verdadeiras, as pessoas realmente fazem doações gigantescas à igreja, em uma estratégia de marketing (com o perdão do trocadilho) divina: se você quer algo de Deus, então deve desafiá-lo. para valer o que pede, dê aquilo que tem de mais valor, pois assim Deus fará valer a recompensa.
a Igreja Universal tem uma das maiores holdings de que se tem notícia no Brasil. só não é mais conhecida, porque os bens da Igreja estão dispersos em dezenas de proprietários e vão mudando de mãos sempre que necessário. além disso, é uma multinacional, exportando templos para dezenas de países. se você estiver de férias por aí, não se espante se o gringo disser: “ôu... brrrasileirrrro... yeah, yeah... Pelé, Ronaldinho, Edir Macedo”.
a IURD tem o jornal de maior tiragem do país, a “Folha Universal”. tem editora, gravadora, emissoras de TV e de rádio espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. com a Rede Record, entrou no mundo profano do entretenimento e do jornalismo. é dona de um jornal de referência em Minas Gerais. neste ano, a Rede Record comprou a TV Guaíba e as rádios Guaíba AM e FM.
até aí eu estava acompanhando, um tanto estarrecida, a entrada do bispinho na seara dos gaúchos. mas agora o cara se possuiu e comprou o Correio do Povo. temo que a primeira baixa seja o texto saboroso do ironista Juremir Machado da Silva. tá, eu sei. meus sentidos ainda estão anestesiados com a confirmação desta notícia. mas o fato é que não consigo vislumbrar neste momento como o Juremir poderia escrever para um jornal do bispinho.
sabe o que é mais estarrecedor? é saber que talvez você esteja comendo, bebendo ou vestindo algo produzido pela Universal, sem ter a menor noção disso. já não bastavam as camisas do Dunga, o aquecimento global e a falta de água no planeta, ainda podemos ficar sem a coluna do Juremir? pra mim, isso é coisa do Demo. é o fundo do poço. piu piu.
12 Março 2007
só melhora
gostou? tem mais. ele era suplente do deputado alagoano que morreu ontem. não, não estou insinuando que ele apagou o morto. mas que tem muita sorte, tem. parece que Augustinho está muito abalado com a morte do parceiro.
gostou? tem mais. Augusto Farias, este baluarte da boa política, pertencente a um dos mais nobres clãs da nação brasileira, é do PTB e faz parte da base de apoio ao Lula. não posso imaginar como isso poderia ficar melhor.
11 Março 2007
10 Março 2007
o pequeno polegar
“Já conversamos muito ao longo dos últimos meses e estamos andando. Andando com muita solidez para encontrarmos o chamado ‘ponto G’ para fazer um acordo. Estou convencido disso”, afirmou Lula, sorrindo e com uma das mãos levantada, com os dedos polegar e o indicador unidos, como se tivesse mostrando o ponto a que se referia.
sei. alguém podia explicar ao Pequeno Polegar que, para encontrar o ponto G, outro dedo é mais indicado. isso, aquele mesmo que você usa pra xingar a mãe do Bucha.
09 Março 2007
avanço lusitano
os portugueses, geralmente tidos como mais conservadores que os brasileiros, na verdade demonstram estar à nossa frente. e nem vou falar nos pastéis de Santa Clara e nas rabanadas, que aí já é covardia. piu.
08 Março 2007
06 Março 2007
nada e coisa alguma
passei dias intercalando a leitura de Calvino, que neste livro reconta as fábulas que circulam oralmente na Itália desde tempos imemoriais – antes dos irmãos Grimm –, com loooongos períodos à frente da TV. meu sono incontrolável diante de episódios repetidos, receitas culinárias mal traduzidas e documentários sobre o sexo selvagem dos leopardos só arrefecia quando eu parava na Rede TV. com Sonia Abrão, a alquimista que comanda um negócio das arábias chamado “A tarde é sua”, tive um intensivo de como transformar o nada em coisa alguma.
durante duas horas e meia, ela vende duas motos em um “leilão ao contrário”, em que ganha quem der o lance mais baixo – o lucro, é claro, vem das ligações dos proponentes. ela também vende câmeras digitais e outras coisinhas, sempre sorrindo e se equilibrando em saltos altíssimos e um vestidinho questionável.
e sobre o que fala Sonia Abrão, no tempo em que não está vendendo coisinhas? ela fala sobre o Big Brother. a Rede TV gasta as tardes falando de um programa da Rede Globo. praticamente um pool televisivo. Sonia “debate” com dois convidados “especialistas” em BBB, sempre gente que pensa como ela. colunistas de TV e ex-brothers ficam ali, comentando o que acontece na casa, falando ao mesmo tempo, tonteando o telespectador e atacando de psicólogos de quinta categoria. Sonia é a rainha do requentado. não produz nada: lê textos publicados em blogs, mostra cenas do programa, xinga uns jogadores, exalta outros, e no rodapé da tela vemos aquela tarja permanente dos programas de baixo nível, com frases sensacionais que sempre prometem mais sensação do que podem entregar.
meu lema é “em Roma, faça como os romanos”. e assim fui conhecendo mais de perto os personagens desta edição do BBB. a casa está dividida entre a “turma do mal” e a “turma do bem”. exatamente como nas fábulas narradas por Calvino. Diego-Alemão, um loiro sarado que oscila entre o cafajeste e o bom moço, foi eleito galã. um príncipe loiro pelo qual suspiram as moçoilas românticas. todo príncipe requer uma princesa, e esta figura lendária foi encaixada, meio a força, na loira histérica Íris-Siri. peguei o episódio em que os apaixonadinhos foram emparedados pela turma do mal. depois, o dia em que a princesa foi defenestrada e seu herói jurou vingança. mais tarde, o episódio em que a turma do mal continuou sendo pérfida e colocou o príncipe de novo no paredão, agora com sua amiga Flavia, remanescente da turma do bem.
aos poucos, os maus eliminam os bons, mas o herói vai ficando para cumprir sua jornada. e ficará até o fim, a menos que cometa algum erro estratégico, pois parece que os brasileiros que votam (ah, como sorriem a Globo e as operadoras de telefonia) já caíram de amores pelo príncipe injustiçado. o povo adora fazer justiça, então deve dar 1 milhão de reais ao mártir bonitão.
o enredo é típico das fábulas, o mesmo mote repisado nas novelas e nos filmes heróicos. puro romantismo final de século, só que agora, como convém às histórias modernas, em vez de uma princesa que joga as tranças, temos mulheres que mostram a calcinha e rapazes que andam sem cueca. fala-se muito de sexo, mas praticar, que é bom, nada. a liberalidade é retórica, pois todo mundo tem medo de se queimar diante da alma puritana dos brasileiros que votam. e, convenhamos, a brincadeira vale 1 milhão.
a todas essas, eu já decidi. estou pronta para ganhar o BBB do ano que vem. cumpro todos os requisitos!!! minhas peninhas são loiras, portanto darei uma boa princesa. sou PhD em galinhagem. meu caráter também oscila entre uma pinta ingênua e uma galinha sacana. falo sobre sexo, mas, como sou apenas uma pintinha, só atiço e não faço nada porque papai não deixa. fico linda com qualquer fantasia de festa, rebolo como ninguém e levo todo mundo no bico. com aquele gramadão todo à disposição, acharei minhas próprias minhocas e nem vou precisar disputar comida. além disso, o prêmio é um milhão, e o povo não vai deixar de dar um baita milho a uma pintinha simpática. nada seria mais justo.
como perceberam, eu aproveitei o intensivão com a alquimista que transforma o nada em coisa alguma. e fiz um post enorme sobre absolutamente nada. piu piu.






